terça-feira, 27 de maio de 2008

Come again sweet love doth now invite (Vem novamente: doce amor convida agora)

  • 1. Come again! sweet love doth now invite
Thy graces that refrain
To do me due delight,
To see, to hear, to touch, to kiss, to die,
With thee again in sweetest sympathy.
  • 2. Come again! that I may cease to mourn
Through thy unkind disdain;
For now left and forlorn
I sit, I sigh, I weep, I faint, I die
In deadly pain and endless misery.
  • 3. All the day the sun that lends me shine
By frowns doth cause me pine
And feeds me with delay;
Her smiles, my springs that makes my joy to grow,
Her frowns the winter of my woe.
  • 4. All the night my sleeps are full of dreams,
My eyes are full of streams.
My heart takes no delight
To see the fruits and joys that some do find
And mark the stormes are me assign'd.
  • 5. But alas, my faith is ever true,
Yet will she never rue
Nor yield me any grace;
Her Eyes of fire, her heart of flint is made,
Whom tears nor truth may once invade.
  • 6. Gentle Love, draw forth thy wounding dart,
Thou canst not pierce her heart;
For I, that do approve
By sighs and tears more hot than are thy shafts
Do tempt while she for triumphs laughs.
Tradução:

Vem novamente: doce amor convida agora,
As tuas graças que se abstêm
De me proporcionar devido prazer,
Ver, ouvir, tocar, beijar, morrer
Contigo de novo na mais doce simpatia.

Vem novamente para que eu possa cessar de chorar
Pelo teu insensível desdém,
Por agora deixado e abandonado:
Eu sento-me, eu suspiro, eu choro, eu desfaleço, eu morro
Em dor mortal e infindável miséria.

Todo o dia o Sol que me cede brilho
Através de franzidos me causa angústia,
E alimenta-me com demora:
Os seus sorrisos, as minhas Primaveras que fazem as minhas alegrias crescerem,
Os seus franzidos, os Invernos da minha dor.

Toda a noite, os meus sonos são repletos de sonhos,
Os meus olhos cheios de correntes,
O meu coração não tem prazer
Em ver os frutos e alegrias que alguns encontram
E notar as tempestades que a mim são destinadas.

Meu Deus! A minha fé é sempre verdadeira,
Contudo ela nunca se compadecerá,
Nem me cederá qualquer graça:
Os seus olhos são de fogo, o seu coração de pedra
Que lágrimas nem verdade podem alguma vez invadir.

Suave amor puxa pelo teu feridor dardo,
Tu não podes penetrar no seu coração,
Porque eu isso aprovo,
Por suspiros e lágrimas mais quentes que as tuas flechas,
Persuade enquanto ela ri de triunfo.

First Booke of Songs or Ayres (1597)
John Dowland

Quem quiser ouvi-la, vale a pena!
http://www.youtube.com/watch?v=DCII4R5uRR0

sábado, 12 de abril de 2008

"Quemadmodum desiderat cervus ad fontes aquarum, ita desiderat anima mea ad te, Deus."

Vamos unir no mínimo um milênio de diferença!

Liber Psalmorum, 42;2

Quemadmodum desiderat cervus ad fontes aquarum, ita desiderat anima mea ad te, Deus.
Livro dos Salmos,42;2
Assim como um cervo anseia por fontes de água, minha alma anseia por ti, ó Deus.

Vejam a música composta por Palestrina em cima deste texto. Simplesmente maravilhosa!O perfeito casamente entre a música e o texto sacro. Imaginem-se em uma Igreja imensa, impregnada de cheiro de incenso, ouvindo esta música entoada por um coro.

http://br.youtube.com/watch?v=VhpQgOpFEsY

Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594) foi um músico italiano originário da cidade de Palestrina. Não houve compositor anterior a Bach tão prestigiado como Palestrina, nem outro cuja técnica de composição tivesse sido estruturada com maior minuciosidade.

Palestrina foi denominado como "O Príncipe da Música", e suas obras foram classificadas como a "perfeição absoluta" do estilo eclesiástico. Reconheceu-se que Palestrina captou, melhor que nenhum outro compositor, a essência do aspecto sóbrio e conservador da Contra-Reforma numa polifonia de extrema pureza, apartada de qualquer sugerência profana.

O estilo palestriniano pode-se verificar, com claridade nas suas Missas; a sua índole objetiva, friamente impessoal, resulta extremamente apropriada aos textos formais e rituais do Ordinário. Desde logo a base do seu estilo é o contraponto imitativo franco-flamengo; as partes vocais fluem num ritmo contínuo, com um motivo melódico novo para cada frase do texto. Os sucessores mais importantes de Palestrina foram Festa, Arcadelt e Morales, todos os que aderiram, na sua música eclesiástica, aos princípios conservadores, antiprofanos e estritamente litúrgicos que eram típicos da escola romana, e que são fundamentais nas obras de Palestrina.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Giovanni_Pierluigi_da_Palestrina